Compliance e ASG em 2026: como atender à regulação e evitar riscos? 

Veja por que compliance é peça-chave na agenda ASG, quais mudanças regulatórias ganham força em 2026 e como aplicar boas práticas e evitar riscos
ASG ESG Compliance Finanças Sustentáveis

A agenda ASG está redefinindo as regras do jogo corporativo e empresas que integram essas práticas aos seus programas de compliance tendem a gerar valor de longo prazo.  

Neste artigo, discutimos porque o compliance desempenha um papel central na agenda ASG. Exploramos tendências atuais, as normas regulatórias no Brasil em 2026, e boas práticas que ajudam organizações a evitar riscos, aproveitar oportunidades e consolidar sua vantagem competitiva.  

O que é ASG e por que está em foco nas finanças? 

ASG é a sigla para Ambiental, Social e Governança (Environmental, Social and Governance, na sigla original em inglês).  

Esses critérios avaliam o desempenho de uma empresa em sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e práticas de governança corporativa.  

No contexto de finanças sustentáveis, o termo refere-se a investimentos e decisões financeiras que levam em conta fatores ASG, como financiamento de projetos verdes ou emissão de títulos sustentáveis.  

Em termos práticos, uma empresa preocupada com ASG buscará, por exemplo: 

  • reduzir suas emissões de carbono e desperdícios (A); 
  •  promover diversidade e bem-estar dos funcionários (S); 
  • e manter políticas anticorrupção e transparência robustas (G).  

Essa abordagem integrada vem ganhando destaque porque cada vez mais os consumidores estão passando a valorizar a geração de lucro de forma responsável por parte das empresas. 

Atualmente, cerca de 90% dos investidores globais¹ demonstram interesse em investimentos sustentáveis, e esse movimento faz do ASG um tema central no mercado financeiro. 

E por que virou prioridade?  

Os números falam por si. Estima-se que ativos globais seguindo critérios ASG alcancem US$ 35 trilhões², o que representará quase metade de todos os investimentos profissionais. Significa que as finanças sustentáveis deixaram de ser nicho para se tornar tendência.  

De acordo com dados do estudo EY Global Institutional Investor Survey 2024³, 88% dos investidores institucionais aumentaram o uso de informações ASG nas análises de empresas no último ano.  

Ou seja, quem não reportar adequadamente seus indicadores ASG pode enfrentar perda de confiança do mercado, acesso restringido a capital ou um custo de financiamento maior.  

Qual é o papel do compliance na Agenda ASG? 

Diante desse cenário, o compliance, tradicionalmente associado ao cumprimento de leis, regulamentos e padrões éticos, precisa expandir seu escopo para abarcar também os objetivos ASG.  

Mas qual é exatamente o papel do compliance? Em essência, ele garante a credibilidade das práticas sustentáveis da empresa.  

Cabe ao time assegurar que os compromissos ambientais, sociais e de governança assumidos sejam de fato implementados e reportados com veracidade. 

Na prática, significa integrar os principais controles e políticas dentro do programa de compliance e, se necessário, de riscos. Por exemplo: 

  • Políticas internas e código de conduta: O compliance deve atualizar códigos de ética incluindo diretrizes ASG, como políticas anticorrupção robustas (G) e compromissos com direitos humanos e meio ambiente (S e E). 

  • Monitoramento de riscos ASG: Assim como monitora riscos regulatórios, o compliance precisa mapear riscos ambientais (ex.: impactos climáticos), riscos sociais (ex.: violações trabalhistas) e riscos de governança (ex.: fraudes). Esses riscos devem entrar na matriz de riscos, com planos de mitigação. 

  • Conformidade legal e regulatória: Novas leis e normas sobre sustentabilidade estão sempre surgindo. O compliance deve assegurar que a empresa as atenda, o que inclui desde legislação ambiental local até padrões internacionais de reporte de sustentabilidade.  

  • Transparência e reporte confiáveis: Garantir que relatórios ASG e divulgações públicas sejam precisos e validados. Vale lembrar que muitas informações ASG (emissões de CO2, diversidade etc.) agora precisam de auditoria ou asseguração independente, similar às demonstrações financeiras. 

Em resumo, o compliance atua como o eixo de integração das iniciativas ASG à estratégia corporativa de forma consistente e confiável. consistente e confiável. Sem um compliance ativo, programas ASG podem se tornar apenas discursos vazios.  

Por isso, com um compliance bem estabelecido, as empresas conseguem transformar metas ASG em ações mensuráveis, prevenir desvios e responder prontamente a incidentes. 

Como o compliance em ASG gera valor e confiança para a empresa? 

Investir em compliance voltado a ASG não é apenas cumprir regras, mas também gerar valor e confiança. Vejamos alguns benefícios concretos: 

Reputação fortalecida 

Empresas comprometidas com ASG tendem a ganhar reputação positiva, já que consumidores e parceiros de negócios tendem a confiar mais em organizações éticas e sustentáveis.  

Conforme vimos acima na pesquisa da EY, os consumidores são mais leais a empresas que defendem causas sociais ou ambientais. Assim, o compliance ASG contribui diretamente para a imagem da marca. 

Atração de investimentos  

Como também já mencionado, clientes e investidores vêm priorizando empresas com alto desempenho em ASG, o que tem levado fundos de investimento e grandes bancos globais a incorporarem esses critérios nas decisões de crédito.  

Com isso, organizações que demonstram um compliance ASG sólido tendem a acessar capital com mais facilidade e a custos menores, inclusive por meio de instrumentos como títulos verdes e empréstimos sustentáveis (cujas taxas podem estar diretamente vinculadas ao cumprimento de metas socioambientais). 

Vantagem competitiva  

Integrar a agenda ASG no planejamento da organização tende a melhorar a gestão de riscos e a eficiência.  

Empresas que reduzem desperdícios e emissões economizam recursos; as que cuidam de funcionários retêm talentos; as que têm boa governança evitam multas e prejuízos por corrupção.  

Conformidade regulatória 

Em setores regulados (como financeiro, capitais, energia, saúde, entre outros), estar à frente nas práticas ASG significa menos atrito com fiscalizações e até possibilidade de influenciar políticas públicas.  

Reguladores e bolsas de valores veem com bons olhos empresas que adotam padrões rigorosos de sustentabilidade, o que pode resultar em selos, índices ou premiações ASG (como o Índice de Sustentabilidade Empresarial, da Bolsa brasileira, a B3). 

A confiança é um ativo valioso; e o compliance unido ao ASG é ferramenta-chave para conquistá-la. 

Quais mudanças regulatórias recentes reforçam ASG e compliance? 

Nos últimos anos, o arcabouço regulatório evoluiu rapidamente para incorporar ASG, o que impacta diretamente as responsabilidades de compliance.  

Por isso, destacamos algumas mudanças importantes que profissionais de compliance devem acompanhar de perto: 

Padrões globais de divulgação de sustentabilidade (IFRS/ISSB) 

Em 2023, foram lançadas normas internacionais de reporte ASG pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), vinculadas à IFRS e o Brasil se comprometeu com a adoção integral desses padrões.  

A CVM editou normas que permitem adoção voluntária dos padrões IFRS S1 e S2 (relatórios de sustentabilidade e clima) em 2024-2025, e tornará obrigatória a divulgação nesses moldes a partir de 2026, de acordo com a Resolução CVM 193.  

Ou seja, para exercícios sociais iniciados neste ano, todas as companhias abertas brasileiras terão de publicar relatórios de sustentabilidade seguindo critérios globais e com auditoria independente.  

CVM e B3 

A B3, em linha com a CVM, incorporou em 2025 novas exigências ASG para empresas listadas. O regulamento de emissores da B3 passou a adotar o método do “pratique ou explique” em relação a determinadas práticas ASG.  

Por exemplo, as companhias devem informar no Formulário de Referência se atendem a medidas como diversidade mínima na alta administração (ao menos uma mulher e um integrante de grupo sub-representado nos conselhos) ou então justificar por que não o fazem. Outro item é indicar se a remuneração variável dos executivos considera metas ASG.  

Essas exigências mostram que aspectos ASG, antes “boas práticas” voluntárias, agora estão se tornando parte das obrigações formais das empresas. O compliance, portanto, deve preparar relatórios internos, processos de coleta de informações e planos de ação para cumprir tais requisitos ou explicar eventuais lacunas. 

Reguladores estão de olho em promessas ASG vazias. A CVM, por exemplo, incluiu em seu Plano de Ação de Finanças Sustentáveis 2025-2026 medidas para intensificar a supervisão contra greenwashing (práticas enganosas de sustentabilidade).  

Outros órgãos, como o Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária (CONAR), também estão atentos a declarações que possam induzir ao erro.  

Diante disso, o compliance deve revisar comunicações e produtos rotulados como “verdes” ou “sustentáveis” para assegurar que refletem a realidade, com a documentação de evidências e certificações quando necessário. 

ANBIMA 

Já a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) avançou nesse debate ao criar uma forma padronizada de identificação para fundos com estratégia declaradamente sustentável

Na prática, a ANBIMA prevê que fundos com objetivo de Investimento Sustentável possam ser identificados com o sufixo IS, deixando claro ao mercado que aquele produto nasceu com um compromisso sustentável estruturante, e não apenas com elementos ASG complementares.  

Além disso, a identificação é baseada em autodeclaração, o que aumenta a responsabilidade do gestor em demonstrar consistência entre o mandato do fundo, sua política de investimento e a execução real da estratégia. 

Esse modelo tem um efeito direto sobre o papel do compliance em finanças sustentáveis. Se o fundo se posiciona como ASG ou IS, o compliance precisa funcionar como um garantidor da integridade do produto, assegurando que o que está no regulamento, nos materiais de divulgação e na comunicação com investidores seja sustentável também na prática, com evidências e trilha de auditoria. 

Finanças verdes e clima 

No setor financeiro, há uma proliferação de instrumentos sustentáveis, como empréstimos vinculados a desempenho ASG, títulos verdes, sociais e de sustentabilidade (green bondssocial bonds, etc.) e fundos de investimento rotulados ASG.  

O governo brasileiro em 2023-2024 realizou emissões soberanas de títulos sustentáveis e, em 2025, lançou a Taxonomia Sustentável Brasileira para definir criteriosamente o que é considerado investimento sustentável.  

Para compliance, isso representa tarefas adicionais: verificar se os recursos captados via títulos verdes estão sendo aplicados conforme declarado, garantir que fundos ASG sigam suas políticas de investimento temáticas e reportar impactos de forma consistente.  

Em resumo, a régua regulatória está subindo. Programas de compliance precisam se atualizar para cobrir essa nova legislação e autorregulação ASG.  

A integração entre compliance tradicional e sustentabilidade é irreversível: do formulário de referência da empresa às demonstrações financeiras, as informações ASG agora caminham lado a lado com as informações convencionais.  

A boa notícia é que as companhias que se antecipam e estruturam esse compliance “ASG integrado” sairão na frente, com vantagem em credibilidade no mercado. 

Leia também 

6 práticas de compliance para atender aos critérios ASG 

Alcançar excelência em ASG exige ação coordenada. A seguir, respondemos a uma questão prática: como integrar ASG ao programa de compliance da empresa? Este passo a passo destaca as melhores práticas e ações concretas: 

1. Governança ASG 

Uma boa prática é criar um comitê de sustentabilidade ou incluir responsabilidades ASG no comitê de riscos e compliance.  

Definir metas de sustentabilidade, por exemplo, ou atingir certa pontuação em índices de diversidade, demonstra esse compromisso.  

O papel do compliance aqui é assessorar a liderança sobre obrigações legais e tendências, para garantir que as metas ASG estejam alinhadas com regulamentos vigentes e não exponham a empresa a riscos desnecessários. 

2. Diagnóstico e avaliação de riscos ASG 

Antes de implementar mudanças, avalie onde sua empresa está. Quais são os principais riscos ASG no seu negócio? 

Uma mineradora, por exemplo, terá foco grande em impacto ambiental e segurança de comunidades, enquanto um banco precisa atentar para riscos sociais nas empresas que financia e governança interna.  

Com o diagnóstico em mãos, o compliance deve integrar esses riscos ao programa existente. Por exemplo, incluir cenários de risco climático nos testes de estresse, ou monitorar fornecedores críticos quanto a práticas trabalhistas. 

3. Políticas, códigos e controles atualizados 

Com os riscos identificados, revise suas políticas internas. Incorpore critérios ASG no código de ética, nas políticas anticorrupção (linkando corrupção a impactos sociais ou de governança) e crie políticas específicas se necessário, como política ambiental, de direitos humanos ou de diversidade e inclusão.  

Estabeleça controles internos para monitorar conformidade a essas políticas e lembre-se de que todos os novos procedimentos devem vir acompanhados de processos, como quem faz, quem aprova e quem audita. 

4. Treinamento e cultura organizacional 

Já sabemos que ter políticas somente papel não é suficiente quando elas não são refletidas na cultura da empresa.  

Portanto, invista em treinamentos periódicos sobre temas ASG para funcionários de todos os níveis:  

Explique com exemplos práticos: “O que eu, no meu dia a dia, devo fazer diferente por causa do compromisso ASG da empresa?”.  
Enfatize que compliance e ASG são responsabilidades de todos, não só de um departamento.  
Estimule os colaboradores a reportarem, via canais de denúncia ou feedback, eventuais condutas contrárias aos valores ASG (descarte inadequado de resíduos, casos de assédio ou discriminação etc.).  

5. Monitoramento, métricas e reporte transparente 

Monte um painel de indicadores ASG e acompanhe-os com o mesmo rigor aplicado aos indicadores financeiros, cabendo ao compliance assegurar a confiabilidade desses dados. 

Além disso, o reporte externo precisa ser transparente e equilibrado: reconhecer avanços, mas também desafios.  

Honestidade gera confiança. Lembre-se que, a partir de 2026, no Brasil, grande parte desses dados será auditada externamente, então já comece a tratá-los com rigor técnico. 

6. Auditoria e melhoria contínua 

Implemente revisões independentes (internas ou externas) dos processos ASG e inclua essas verificações no escopo da auditoria interna de compliance. 

E, sempre que possível, busque certificações ou validações de terceiros, garantindo que os achados gerem planos de ação corretivos. 

Como o cenário ASG muda rapidamente, o ciclo PDCA (Planejar, Executar, Checar e Agir) deve rodar de forma contínua. 

Seguindo esse passo a passo, a sua empresa pode começar a construir um sistema de compliance e ASG robusto, que atende às obrigações legais e vai além: impulsiona um desempenho sustentável.  

O importante é entender que não tem fórmula mágica. Essa integração precisa de comprometimento, recursos (tecnologia e pessoas capacitadas) e vontade de aprender com experiências próprias e do mercado. 

Quais erros evitar ao alinhar compliance e ASG? 

Ao implementar essas práticas, algumas armadilhas comuns podem minar os esforços de compliance. Conhecê-las ajuda a evitá-las: 

  • Tratar ASG só como “propaganda”: Anunciar compromissos ambiciosos sem plano real para cumpri-los é receita para o fracasso e para acusações de greenwashing. É preferível ser conservador nas promessas e superar expectativas do que o contrário. 

  • Falta de integração entre departamentos: ASG é transversal. Se as áreas de sustentabilidade, compliance, jurídico, RH, operações e financeira trabalharem separadamente, as iniciativas ficarão desencontradas. Evite a falta de coordenação com comitês interdisciplinares e fluxo de informações unificado (idealmente em uma plataforma única de GRC). 

  • Ignorar o “G” (Governança): Muitas empresas focam no ambiental e social e esquecem que o pilar de Governança é igualmente importante. Sem governança forte, isto é, sem compliance efetivo, transparência contábil, gestão de riscos e ética nos negócios, os resultados em E e S ficam comprometidos.

  • Desconhecer as exigências legais: O ritmo de novas leis e normas ASG é intenso. Há empresas que, por desconhecimento, deixam de cumprir alguma obrigação. Mantenha seu radar atualizado e, se preciso, conte com assessoria especializada para acompanhar essas mudanças. 

Evitar esses erros ajuda a garantir que o trabalho duro em compliance ASG realmente se converta em credibilidade e performance, em vez de virar um exercício de box-ticking (cumprir tabela). 

Uma parceria para o futuro 

Compliance e ASG formam hoje uma dupla inseparável para empresas que buscam longevidade e relevância.  

Em 2026, já enxergamos uma convergência cada vez maior entre programas de compliance tradicionais e objetivos ASG: políticas anticorrupção, gestão de riscos e métricas de sustentabilidade estão sendo integradas em uma abordagem unificada e estratégica.  

No fim das contas, reforçar a cultura de integridade, transparência e responsabilidade socioambiental é mais do que cumprir obrigações, é construir um legado corporativo positivo.  

E o compliance, atuando de mãos dadas com a sustentabilidade, é o alicerce dessa construção. 

Conte com o Compliasset nesse processo 

Atender às exigências de ASG pode parecer desafiador, mas não precisa ser assim. O Compliasset, ajuda a integrar o gerenciamento de compliance e riscos em uma só plataforma, além de oferecer um treinamento especializado de ASG para Gestoras. 

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Fontes 
¹ https://www.morganstanley.com/insights/articles/sustainable-investing-interest-2025  
² https://www.keyASG.com/article/50-ASG-statistics-you-need-to-know  
³ https://www.ey.com/en_gl/insights/climate-change-sustainability-services/institutional-investor-survey  

Este artigo não representa opinião legal do Compliasset, tendo o propósito puramente informativo.

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