Em um mercado com cada vez mais processos digitalizados, a segurança cibernética desempenha um papel vital na proteção dos dados sensíveis e na manutenção da confiança no mercado financeiro.
As instituições enfrentam ameaças constantes de vazamentos de dados, que podem resultar em perdas significativas, danos à reputação e litígios regulatórios.
Portanto, estar em dia com as regulamentações é essencial para mitigar riscos e proteger os ativos de clientes e empresas.
A seguir, discutiremos os principais aspectos da segurança e como prevenir os principais riscos.
Papel da proteção cibernética
O setor financeiro é especialmente alvo de crimes virtuais devido à quantidade e sensibilidade dos dados pessoais armazenados.
Os vazamentos dessas informações pode ter consequências devastadoras, incluindo exposição e perda de confiança dos clientes, danos à reputação e multas regulatórias.
Portanto, é indispensável que as instituições deste segmento implementem medidas eficazes e estejam em conformidade com as regulamentações aplicáveis, conforme veremos a seguir.
Regulamentações e compliance
Nesse sentido, o mercado está sujeito a uma série de regulamentações e requisitos de compliance. Por exemplo, a Lei nº 13.709, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que estabelece as diretrizes para o tratamento de dados.
Além disso, a Resolução CMN nº 4.893, emitida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), dispõe sobre a Política de Segurança Cibernética para instituições financeiras no Brasil, que visa garantir a proteção adequada dos dados e a privacidade dos clientes no âmbito on-line, a partir de diretrizes que protegem sistemas, redes e informações contra ameaças.
Dentre os artigos presentes na resolução, destacam-se aqueles que dispõem diretamente sobre esses requisitos:
- O artigo 3º, por exemplo, estabelece a necessidade de desenvolver e implementar uma Política de Segurança Cibernética, abrangendo medidas técnicas, administrativas e operacionais para garantir a integridade, confidencialidade e disponibilidade dos dados.
- Já o artigo 5º trata da avaliação dos riscos cibernéticos, exigindo que as instituições financeiras realizem análises de risco e implementem medidas de controle adequadas. Essa avaliação deve considerar a criticidade dos ativos de informação, a probabilidade de ocorrência de ameaças e os impactos operacionais decorrentes de eventuais incidentes.
- Outro ponto importante está no artigo 6º, que aborda a necessidade de estabelecer um plano de ação e de resposta a incidentes cibernéticos. Esse plano deve definir as responsabilidades, procedimentos e medidas a serem tomadas em caso de violação de segurança, incluindo a comunicação adequada aos clientes e autoridades competentes.
Identificação e proteção de dados sensíveis
Neste mercado, diversos tipos de dados são considerados sensíveis, incluindo informações pessoais, números de cartão de crédito, contas bancárias e transações financeiras.
É essencial implementar medidas robustas para a identificação e proteção desses dados.
Criptografia, controle de acesso baseado em função e soluções de proteção de dados são algumas das medidas que podem ser adotadas para garantir a confidencialidade e integridade dessas informações.
Gestão de riscos
A gestão de riscos é uma abordagem estratégica para identificar, avaliar e mitigar os riscos relacionados à segurança cibernética. Por isso, é fundamental realizar avaliações regulares de risco para identificar vulnerabilidades e ameaças potenciais.
Com base nessa avaliação, medidas devem ser implementadas com o suporte de uma equipe qualificada de Tecnologia da Informação (TI), como controles adicionais, atualizações de sistemas e treinamento de funcionários sobre como usar adequadamente essas ferramentas.
Programa de conformidade e segurança
O compliance é essencial para garantir que qualquer empresa esteja em conformidade com as regulamentações e requisitos de proteção.
O programa deve incluir a nomeação de um colaborador responsável, políticas e procedimentos claros, treinamentos constantes de funcionários e monitoramento contínuo para garantir que as políticas sejam seguidas.
Além disso, é importante revisar e atualizar regularmente o programa de conformidade para se adaptar às mudanças constantes.
Monitoramento e detecção de ameaças
Como citado anteriormente, as instituições devem implementar sistemas avançados de monitoramento, como sistemas de detecção de intrusões, análise comportamental e inteligência de ameaças.
Essas soluções contribuem na identificação de atividades suspeitas, como tentativas de acesso não autorizado ou comportamentos incomuns. Ao detectar ameaças rapidamente, também é possível responder de forma eficaz aos possíveis ataques.
Resposta rápida a incidentes
É essencial que qualquer empresa tenha planos de resposta a incidentes e de continuidade de negócios para lidar com vazamentos de dados e/ou ataques cibernéticos.
Os planos devem definir as ações a serem tomadas em caso de violação virtual, incluindo a identificação e isolamento da ameaça, a comunicação com as partes interessadas, a mitigação de danos e a recuperação dos sistemas afetados.
Além disso, é fundamental realizar exercícios regulares de simulação para testar a eficácia dos planos de resposta.
Auditorias de segurança
Auditorias desempenham um papel fundamental na identificação de possíveis vulnerabilidades.
Instituições devem realizar auditorias regulares, incluindo testes de invasão e avaliações de segurança, para identificar falhas, vulnerabilidades e áreas de melhoria.
Essas auditorias ajudam a garantir que as medidas estejam sendo implementadas adequadamente e que os sistemas e redes estejam protegidos.
Parcerias com terceiros confiáveis
É comum que algumas empresas precisem contar com provedores de serviços externos para suporte técnico, infraestrutura, entre outros.
Por isso, é crucial que esses terceiros sigam práticas adequadas e estejam em conformidade com as regulamentações, assim, uma seleção criteriosa de provedores confiáveis é essencial.
As empresas devem realizar processos de due diligence, avaliar a competência dos fornecedores, estabelecer contratos que incluam cláusulas específicas sobre o tema e a responsabilidade em caso de vazamento de dados.
Educação e conscientização dos colaboradores
Os funcionários desempenham um papel crítico na segurança, pois eles estão na linha de frente de todos os processos da empresa.
Sendo assim, é indiscutível a necessidade de investir em treinamentos regulares para conscientizar a todos sobre os riscos e as melhores práticas a serem adotadas.
Esses treinamentos incluem temas como:
- políticas e procedimentos internos;
- simulações de phishing para identificar e evitar golpes;
- campanhas de conscientização;
- proteção e privacidade de dados.
Ao educar e capacitar os funcionários, é possível fortalecer a segurança e reduzir o risco de quaisquer vazamentos de informações.
A segurança cibernética é de extrema importância para a proteção dos dados financeiros e para o cumprimento das regulamentações.
Garantir a conformidade e implementar medidas eficazes é fundamental para proteger o valor dos dados e manter a confiança dos clientes e do mercado como um todo.
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