O mercado financeiro é um dos pilares da economia global. Entretanto, historicamente, tem sido caracterizado pela falta de diversidade em seus quadros de colaboradores.
No entanto, nos últimos anos, a conscientização sobre a importância da diversidade no setor financeiro cresceu significativamente. Neste artigo, vamos explorar os principais desafios e benefícios deste tema, além de citar boas práticas para implementá-lo nas empresas.
Qual o significado de diversidade?
Diversidade refere-se à presença de uma variedade de características, qualidades, elementos ou indivíduos diferentes em um determinado contexto, ambiente ou grupo.
Essas características podem incluir, mas não se limitam a:
- Cultural: variedade de culturas, etnias e origens étnicas;
- Racial: presença de diferentes raças e grupos étnicos;
- Gênero: inclusão de indivíduos de diferentes identidades de gênero, como homens, mulheres, não-binários, entre outros;
- Orientação sexual: respeito e reconhecimento das diversas orientações sexuais;
- Idade: aceitação e inclusão de pessoas de diferentes faixas etárias, desde jovens até idosos;
- Habilidades: reconhecimento e inclusão de pessoas com diferentes habilidades e deficiências, sejam físicas ou cognitivas;
- Pensamento: valorização de diferentes perspectivas, opiniões e estilos de pensamento;
- Social: aceitação de pessoas com diferentes níveis de educação e classes econômicas.
O que é a diversidade no contexto financeiro e por que ela é importante?
Além de ser um catalisador para a inovação, a diversidade traz uma variedade de perspectivas para a mesa. Ao ter pessoas diversas envolvidas na tomada de decisões, é mais provável que sejam considerados todos os ângulos de uma questão, levando a resoluções mais ponderadas e informadas.
Reputação, responsabilidade social e respeito
A integração da diversidade em um planejamento de agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) é fundamental para promover práticas empresariais mais sustentáveis, éticas e responsáveis.
A diversidade não apenas contribui para a equidade social, mas também para a atração de investidores, clientes e talentos que compartilham esses valores, pois, ao criar um ambiente de trabalho inclusivo, as empresas podem atrair diversas pessoas, aumentando sua capacidade de recrutamento e retenção de profissionais qualificados.
Promover a diversidade no setor financeiro demonstra um compromisso com valores éticos e respeito pelos direitos e igualdade de oportunidades de todos os funcionários e stakeholders, independentemente de seu perfil.
Estatísticas atuais, de acordo com a ANBIMA
Antes de mergulharmos nas boas práticas, é importante entender o cenário atual. Os dados revelam que o mercado financeiro ainda carece de representação equitativa de gênero, etnia e outras categorias, mas que está atenta a essa necessidade.
Conforme as informações disponíveis na página da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) dedicada a Diversidade e Inclusão no Mercado Financeiro, “a maioria das instituições acredita que promover a diversidade e a inclusão é uma forma de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e também reconhecem que essas ações trazem ganhos para fortalecer equipes, criar ambientes mais atrativos para os funcionários, atrair talentos e engajar colaboradores”.
Principais obstáculos
Embora as boas práticas sejam fundamentais, também é importante reconhecer os desafios. De acordo com a ANBIMA, 55% das empresas disseram que a baixa representatividade é por causa da própria falta de ações práticas e intencionais. Já 41% afirmaram também que a temática não é uma prioridade. Outras barreiras citadas envolvem desconhecimento sobre o tema e baixo engajamento da alta liderança e seus colaboradores.
Além disso, muitas empresas enfrentam dificuldades ao tentar promover a diversidade devido à resistência interna, necessidade de criar uma cultura de inclusão genuína e viéses inconscientes de discriminação no recrutamento e promoção.
Executivas pretas reforçam importância da inclusão
Durante o painel na ONU, executivas negras brasileiras reforçaram a importância da inclusão para avanço social. As profissionais levantaram questões como a necessidade de estruturação, orçamento e acompanhamento de resultados para a diversidade e inclusão nas companhias.
De acordo com a gerente sênior de direitos humanos no Pacto Global da ONU no Brasil, “este momento se conecta com os movimentos que têm metas claras, como o Elas Lideram, no qual as empresas associadas se comprometem a ter 50% de mulheres em cargos de alta liderança até 2050; e o Raça é Prioridade, com objetivo de ter 50% de pessoas negras em posição de liderança até 2030”.
Como promover a diversidade?
Boas práticas incluem, por exemplo, a implementação de políticas de contratação inclusivas com vagas afirmativas e o estabelecimento de programas de mentoria e patrocínio para esses grupos.
Confira abaixo outros exemplos de práticas que podem ser realizadas nas instituições:
Treinamentos: oferecer treinamento obrigatório em diversidade e inclusão para todos os funcionários, a fim de aumentar a conscientização sobre questões relacionadas à diversidade.
Metas e objetivos: definir metas mensuráveis e alcançáveis para melhorar a diversidade na equipe, incentivando a responsabilização e o acompanhamento dos progressos.
Mentoria e patrocínio: implementar programas de mentoria que conectem funcionários a mentores e programas de patrocínio para apoiar o avanço na carreira.
Auditorias: realizar auditorias regulares de igualdade salarial para garantir que não haja disparidades injustas de remuneração com base em gênero, raça, entre outros.
Flexibilidade: oferecer opções de trabalho flexíveis, como trabalho remoto, horários alternativos e licença parental equitativa para promover um ambiente de trabalho inclusivo.
Fornecedores diversificados: ao escolher fornecedores e parceiros de negócios, considerar sua diversidade e inclusão em suas operações e práticas.
Transparência e comunicação: manter a transparência na divulgação dos dados de diversidade da empresa e comunicar os esforços contínuos para promover a diversidade de forma aberta e honesta.
Papel da liderança na promoção da diversidade
Assim como vimos no início deste artigo, a falta de comprometimento da alta liderança é um dos maiores motivos da falta de diversidade dentro das organizações. Como os líderes podem desempenhar um papel importante na promoção da diversidade e inclusão?
O “tone of the top” é crucial. A expressão refere-se à cultura e ao comportamento ético e de liderança demonstrados pela alta administração de uma organização, incluindo seus diretores, executivos e conselhos de administração. Se os líderes demonstram comportamento ético, integridade e valores sólidos, isso influencia positivamente a cultura da empresa, encorajando outros funcionários a seguir o mesmo caminho.
O futuro da diversidade no mercado financeiro
Neste sentido, a diversidade no futuro do mercado financeiro depende, em grande parte, da capacidade das empresas de incentivar, abraçar as diferenças e agir. Ao implementar boas práticas e superar os desafios, o setor financeiro pode se tornar mais inclusivo, inovador e preparado para atender às necessidades de uma sociedade cada vez mais diversificada.

