A base sólida de qualquer organização está na transparência e confiabilidade de suas informações, tanto financeiras quanto operacionais.
Para Administradores Fiduciários e Gestoras de Recursos, o Relatório de Controles Internos previsto na Resolução CVM n° 21/21 não deve ser tratado como uma mera formalidade de calendário.
O Diretor de Compliance deve elaborar e encaminhar o arquivo até o último dia útil de abril de cada ano. O documento deve ser enviado à alta administração da Gestora e aos membros dos Comitês internos aplicáveis.
Relatório de Controles Internos
O Relatório consolida as ações realizadas ao longo do ano, registra eventuais deficiências identificadas, organiza os respectivos planos de ação e fornece à alta administração uma visão abrangente sobre a efetividade dos controles internos, bem como sobre o nível de aderência da instituição às exigências regulatórias.
Na prática, esse relatório cumpre um papel importante. Quando bem elaborado, não apenas demonstra que a instituição monitora seus processos, mas também ajuda a priorizar riscos, acompanhar correções e fortalecer a tomada de decisão.
Quando é genérico, incompleto ou produzido sem método, perde valor para a gestão e aumenta a exposição da casa a falhas de conformidade.
Se você está encarregado(a) de apoiar o Diretor na elaboração do Relatório Anual de Controles Internos, este guia apresenta os principais pontos a serem considerados, de acordo com as diretrizes da CVM.
Por que esse Relatório merece atenção estratégica?
Embora constitua uma exigência regulatória, o relatório vai muito além do mero cumprimento formal da norma, e funciona como um importante instrumento de supervisão interna e de fortalecimento da maturidade da estrutura de compliance.
Tal fato ocorre porque sua elaboração exige que a organização:
- olhar para seus processos com mais profundidade;
- identificar fragilidades;
- revisar a aderência entre prática e procedimento; e
- transformar achados em ações concretas.
Em outras palavras, o relatório não deveria ser visto apenas como um documento final, mas como o resultado de um processo contínuo de monitoramento.
O que a CVM espera ver, na prática?
Além do conteúdo mínimo previsto na RCVM 21, a CVM já sinalizou que espera relatórios robustos e úteis para a administração.
Ou seja, não é suficiente apenas afirmar que controles existem e que políticas estão implementadas.
→ É fundamental demonstrar, de forma concisa e estruturada, quais elementos foram analisados, qual metodologia ou abordagem foi utilizada na análise, quais conclusões foram obtidas, quais medidas serão tomadas e quais evidências objetivas dão suporte a essas conclusões.
Na prática, tudo isso exige planejamento.
O relatório anual não deve nascer apenas em março ou abril, mas refletir o trabalho realizado ao longo de todo o ano-base, com testes, revisões, monitoramentos e registro de evidências compatíveis com o porte, a complexidade e os riscos da instituição.
Também é importante que a análise seja proporcional à realidade da instituição. Uma estrutura mais enxuta não precisa reproduzir controles excessivos, mas deve demonstrar coerência entre sua operação, seus riscos e os controles adotados.
Como estruturar o Relatório de Controles Internos?
| 1. Uma forma eficiente de organizar o documento é começar pelo escopo do trabalho realizado no período. Nessa abertura, vale indicar quais atividades, áreas, processos e obrigações regulatórias foram cobertos, além de contextualizar a atuação da instituição. |
| 2. Na sequência, o ideal é apresentar a metodologia utilizada. Esse trecho deve explicar, de forma objetiva, como os exames foram conduzidos, quais critérios orientaram a seleção dos temas revisados, se a avaliação foi por amostragem ou sobre o todo, quais fontes foram analisadas e como as evidências foram registradas. |
| 3. Após essa etapa, o relatório passa a ganhar maior consistência quando os resultados são organizados por temas. Em vez de reunir observações dispersas, torna-se mais adequado estruturar o conteúdo em seções como controles internos, governança, gestão de riscos, suitability, conflitos de interesses, segurança da informação, treinamentos obrigatórios, atualização de políticas e demais rotinas regulatórias aplicáveis à atividade exercida. |
| 4. Para cada tema analisado, o relatório deve evidenciar qual foi o exame realizado, qual conclusão foi alcançada, se houve deficiência identificada e, em caso positivo, qual recomendação foi proposta. Sempre que possível, também é importante registrar área responsável e prazo para saneamento, para que o documento não se limite a apontar falhas, mas sirva como base de acompanhamento. |
| 5. O relatório também deve recuperar o histórico do ano anterior. A sua organização traçou planos de ação para as deficiências mapeadas no relatório do ano-base de 2024. Assim, o relatório do ano seguinte deverá trazer a conclusão desse plano de ação, com todas as informações inerentes a ele – diagnóstico, indicadores avaliados, novos controles implementados, efetividade, método etc. |
| 6. Por fim, o relatório deve apresentar a manifestação formal do diretor competente acerca das deficiências anteriormente identificadas, bem como das medidas adotadas ou planejadas para sua correção. Esse pronunciamento final constitui elemento essencial da estrutura do documento. |
Erros mais comuns na elaboração do Relatório
Um dos erros mais frequentes é produzir um texto excessivamente descritivo e pouco analítico.
Quando o relatório apenas afirma que processos existem ou que a instituição está em conformidade, sem indicar o racional e métricas por trás da conclusão, ele perde credibilidade e utilidade.
Outro problema recorrente é a ausência de conexão entre achados e plano de ação. Identificar uma deficiência sem propor recomendação, responsável e prazo reduz muito o valor prático do relatório e dificulta o acompanhamento posterior.
Também é comum haver falhas de escopo. Em alguns casos, o documento não reflete a realidade operacional da instituição.
Em outros, deixa de abordar temas relevantes para a atividade exercida. Em ambos os cenários, o relatório enfraquece a demonstração de efetividade do programa de compliance.
→ Há também um erro de processo que frequentemente compromete a qualidade do trabalho: deixar para organizar as evidências no final do ciclo e elaborar o relatório “de última hora”.
Quando a organização passa a reunir informações muito próximo ao prazo de abril, aumenta significativamente o risco de lacunas, perda de evidências, análises superficiais e falta de conformidade.
Como tornar o processo mais eficiente?
A elaboração do relatório tende a ser mais segura quando a instituição mantém, ao longo do ano, uma rotina mínima de organização das evidências, registro de controles e testes, acompanhamento de pendências e atualização de planos de ação.
Assim, reduz a dependência de reconstruir informações perto da entrega e torna o documento final mais consistente.
Ademais, ao longo do ano de 2025, idealmente, a sua organização deu continuidade aos controles bem e cumpriu aos planos de ação definidos no relatório do ano-base anterior.
Essa continuidade também facilita a visão histórica de achados, o acompanhamento de reincidências e a demonstração de evolução da estrutura de controles internos.
Na prática, o maior desafio raramente está apenas em redigir o relatório. O ponto mais sensível costuma ser consolidar informações dispersas, manter rastreabilidade das evidências e transformar observações de compliance em ações efetivamente acompanháveis.
Valor estratégico do Relatório
O Relatório de Conformidade e Controles Internos deve ser encarado como um instrumento para decisões estratégicas, e não apenas como uma obrigação anual. Quando bem estruturado, ele ajuda a administração a entender riscos, acompanhar deficiências, priorizar correções e fortalecer a efetividade dos controles internos.
Mais do que cumprir prazo, o valor do relatório está na sua capacidade de retratar a realidade da instituição, sustentar conclusões com evidências e transformar achados em decisões e melhorias concretas.
Assim, protege a organização de riscos regulatórios, operacionais, reputacionais, dentre outros.
Evidências e controles em um só lugar
Se sua instituição precisa organizar evidências, acompanhar pendências e fortalecer o compliance ao longo do ano, o Compliasset pode ajudar. No sistema, controles e registros ficam estruturados e o relatório anual deixa de ser um esforço concentrado para refletir uma rotina de conformidade sólida.
Nossos clientes ainda recebem gratuitamente, todos os anos, o Modelo de Relatório Anual de Controles Internos, originalmente desenvolvido pelo Dyskant Advogados e anualmente atualizado pelo time jurídico do Compliasset.
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