06/07/2023

Como as empresas podem incentivar a educação Financeira no Brasil?

Esse processo é essencial para o crescimento econômico sustentável do país e para o bem-estar financeiro da sociedade; entenda como empresas do setor podem contribuir
Laura Resende
Educação Financeira (2)

A educação financeira tem se tornado uma peça-chave para a estabilidade econômica e o bem-estar financeiro das pessoas. Por isso, compreender o significado deste processo para a sociedade é o primeiro passo para promover uma cultura financeira sólida e sustentável.

Sendo assim, neste artigo, discutiremos a importância dessa ação e o papel crucial das empresas do setor de finanças.

O que é educação financeira?

Esse processo engloba um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem às pessoas gerenciar suas finanças pessoais e tomar decisões mais inteligentes.

O conceito abrange desde fundamentos básicos, como orçamento, poupança e investimentos, até assuntos mais complexos, como planejamento para aposentadoria, seguros e gestão de riscos.

Qual sua importância?

Para os indivíduos, possibilita o desenvolvimento de uma relação saudável com o dinheiro, auxiliando na construção de um patrimônio sólido, no planejamento para o futuro e na tomada de decisões conscientes.

Já para as organizações, proporciona uma base para a gestão eficiente dos recursos, aumentando a competitividade e a sustentabilidade dos negócios.

O cenário atual do Brasil

No Brasil, essa realidade ainda é desafiadora. Dados recentes revelam que uma parcela significativa da população enfrenta dificuldades financeiras, como endividamento excessivo e falta de planejamento.

Segundo o Indicador de Educação Financeira do Brasil, apenas 24% dos brasileiros possuem noções básicas sobre esse tema. Esses números reforçam a urgência de ações efetivas no país, que também possui um histórico de baixo índice de poupança e investimento.

Já de acordo com o SPC Brasil, cerca de 75% dos jovens com idade entre 18 e 30 anos não fazem controle do gasto. No entanto, nos últimos anos, tem havido um aumento significativo na conscientização sobre a importância desses conhecimentos.

Um dos desafios é o fato de que muitas pessoas não têm acesso a informações adequadas sobre como administrar seu dinheiro, fazer orçamentos, evitar dívidas excessivas e investir de forma inteligente. Isso resulta em uma população vulnerável a problemas financeiros.

Para melhorar esse cenário, é fundamental esse assunto esteja inserido desde cedo nas escolas, como parte do currículo educacional.

Os conceitos básicos de finanças, como poupança, orçamento, juros, investimentos e planejamento financeiro devem ser ensinados de maneira acessível e prática.

Além disso, é importante que o governo, as instituições financeiras e a comunidade em geral promovam iniciativas e programas para adultos, o que pode ser feito por meio de cursos gratuitos, palestras, materiais educativos e campanhas de conscientização sobre a importância de tomar decisões financeiras bem informadas.

Educação financeira e investimentos

No que diz respeito aos investimentos, o Brasil tem visto um aumento na participação de pessoas físicas no mercado financeiro, especialmente através de corretoras de valores e plataformas digitais de investimento. No entanto, ainda há muito espaço para crescimento nessa área.

Uma maneira de melhorar o acesso aos investimentos é facilitar o processo de abertura de contas em corretoras, reduzindo a burocracia e simplificando os procedimentos.

Outra forma é permitir que as pessoas tenham acesso a informações claras e transparentes sobre os diferentes tipos de investimento, os riscos envolvidos e as estratégias adequadas para cada perfil de investidor.

Muitos brasileiros ainda têm uma mentalidade concentrada em investimentos a poupança, mas o ideal é que todos saibam como explorar outras opções, como a renda fixa, ações, fundos imobiliários e fundos de investimento.

Contribuição de empresas

As empresas do setor de finanças têm um papel crucial na promoção da educação financeira, pois possuem o conhecimento e os recursos necessários para oferecer orientação e ferramentas que capacitam os indivíduos a tomar decisões financeiras informadas.

Por meio de programas educacionais, palestras e workshops, é possível disseminar conhecimentos financeiros, abordando desde conceitos básicos até tópicos mais avançados.

Algumas empresas do setor de finanças que podem contribuir são:

  • Bancos: muitas organizações têm programas que fornecem informações sobre orçamento, economia, investimentos e gestão de dívidas.

  • Corretoras de Valores: algumas delas oferecem recursos educacionais, incluindo tutoriais, cursos e webinars para ajudar os investidores a entender melhor os princípios básicos dos investimentos e a tomar decisões informadas.

  • Seguradoras: desempenham um papel importante na proteção contra riscos, como acidentes, doenças e perdas de propriedade. Algumas também oferecem recursos educacionais para ajudar os segurados a entender os diferentes tipos de seguros disponíveis, como seguros de vida, de saúde e de propriedade.

  • Gestoras de ativos: muitas dessas empresas oferecem materiais educacionais e ferramentas interativas para ajudar os investidores a entender como os fundos funcionam, quais são os riscos envolvidos e como criar uma estratégia de investimento.

  • Fintechs: combinam tecnologia e serviços financeiros para fornecer soluções inovadoras, oferecendo aplicativos móveis, plataformas online e ferramentas de gerenciamento financeiro que ajudam as pessoas a rastrear seus gastos, economizar dinheiro e tomar decisões financeiras informadas.

  • Empresas de cartões de crédito e débito: as empresas de cartões de crédito e débito desempenham um papel importante fornecendo informações sobre como usar cartões de forma responsável, gerenciar dívidas e evitar armadilhas financeiras, como altas taxas de juros e taxas ocultas.

Essas são apenas algumas das muitas que podem contribuir, mas é importante que os consumidores também busquem recursos e informações e apliquem os princípios em suas vidas diárias.

Agenda ESG

Empresas que incentivam essa ação podem incluir esse tema em suas práticas de ESG (Environmental, Social, and Governance).

Ao integrá-la em suas Agendas, as empresas não apenas promovem a responsabilidade social, mas também ajudam a capacitar indivíduos e comunidades, o que pode contribuir para a construção de um país mais resiliente e economicamente equitativa.

ENEF

A Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) visa a cooperação entre governos, instituições financeiras, entidades de classe e organizações da sociedade civil para fomentar esse processo em todos os segmentos da população.

A Semana Nacional de Educação Financeira é uma iniciativa que todos os anos tem como objetivo promover ações efetivas no país. Em 2023, a 10ª edição, realizada em maio, teve como tema central a Resiliência Financeira.

Alguns temas de palestras e lives foram a importância do planejamento financeiro com foco na aposentadoria, o papel da sustentabilidade, como a criptoeconomia pode influenciar a forma como lidamos com as finanças, mercado de capitais para pequenos investidores, entre outras.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Educação Financeira (FBEF), organizadora do evento, “o objetivo conscientizar o indivíduo sobre a importância do planejamento financeiro, para que desenvolva uma relação equilibrada com o dinheiro e decisões sobre finanças e consumo que promovam o seu bem-estar”.

Iniciativa da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também desempenha um papel relevante por meio de ações como programas, materiais educativos e parcerias com empresas do setor.

Em maio de 2023, o Colegiado da CVM aprovou um acordo de cooperação técnica com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) com o propósito de desenvolver ações que visam a idealização de campanhas e materiais educacionais destinados à população sobre as novas tecnologias, em especial as finanças descentralizadas (DeFi) e outras aplicações relativas à criptoeconomia, blockchain e investimentos em ativos digitais.

*Este conteúdo não representa opinião legal do Compliasset, tendo o propósito puramente informativo.

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